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O que é Abuso Espiritual?

Abuso espiritual é todo abuso de poder praticado em espaços religiosos por indivíduos que se prevalecem de seu cargo ou autoridade para obter vantagens pessoais ou institucionais.


A prática do abuso espiritual é muito mais comum do que se imagina. E pode ocorrer em igrejas, comunidades de fé, fraternidades, movimentos eclesiais, congregações, ministérios, pastorais, grupos de oração, colégios confessionais, círculos esotéricos etc.


Sob o guarda-chuva do abuso espiritual são cometidos inúmeros outros abusos, como:

- abuso físico e sexual;

- financeiro;

- trabalhista e patrimonial;

- de consciência;

- emocional, deixando um rastro de frustração, medo e culpa.


Muitas vítimas de abuso religioso relatam diferentes histórias de grande sofrimento, cujo roteiro obedece a um padrão: a crença em Deus, que deveria ser fonte de paz e alegria, torna-se instrumento de manipulação nas mãos de predadores espirituais que exibem uma aura de enganosa santidade.


Como identificar o abuso espiritual?

Um dos sinais de abuso espiritual é a instrumentalização da fé e da confiança. O que deveria ser uma relação de respeito mútuo entre a liderança religiosa e a pessoa que busca orientação transforma-se em controle obsessivo por parte do abusador, e submissão obrigatória por parte da vítima.


O abusador espiritual afirma possuir uma infalibilidade divina que jamais poderá ser questionada. A vítima do abusador religioso lhe deve obediência cega e incondicional. O medo é uma das principais algemas que limitam e oprimem a vítima, como:

1- medo do castigo eterno;

2- medo de ser expulso do grupo abusivo

3- medo de ser amaldiçoado etc.


Outros sinais são:

• pressão contínua por doações financeiras;

• invasão da intimidade pessoal;

• imposição de regras rígidas de comportamento;

• afastamento da família e dos amigos.


Se a sua liberdade de consciência está sendo cerceada “em nome de Deus”, trata-se claramente de abuso espiritual.


Como o abuso espiritual afeta a identidade

O impacto na identidade é profundamente destrutivo. O abuso espiritual atinge o âmago da alma, controlando a vítima em questões que vão muito além do âmbito da crença religiosa. A vida afetiva, a vida familiar, as opções profissionais, o uso do tempo, toda a existência da pessoa vai sendo determinada e dominada pela vontade do abusador ou da instituição abusiva.


A vítima sente-se condenada a não ser quem é, e induzida (sempre “em nome de Deus”) a ser o que o abusador quer que ela seja. A vítima perde a espontaneidade, perde a autoestima, e, pior de tudo, corre o risco de perder o sentido da vida.


Compelida a abrir mão de sua liberdade, a vítima não se reconhece mais como uma pessoa capaz de se relacionar com Deus, pois o próprio Deus passa a ser visto como um abusador. A alma está em carne viva. Sua saúde mental e espiritual encontra-se seriamente comprometida e requer uma terapia adequada.


Como funciona a terapia para trauma religioso?

A terapia para o trauma religioso e o abuso espiritual deve ser, antes de mais nada, empática e respeitosa, reconhecendo que as feridas de uma alma afetam todas as dimensões da existência, tanto no campo propriamente psíquico e espiritual, quanto no campo afetivo e relacional.


O primeiro passo consiste em compreender os fatos que levaram ao sofrimento psíquico, bem como identificar até que ponto a “voz do abusador” continua presente e atuante. Cumprida essa etapa inicial, é fundamental aprofundar no autoconhecimento, e adotar novas atitudes para a recuperação da saúde emocional, mental e espiritual.


O principal objetivo de

um adequado acompanhamento terapêutico para abuso e trauma religioso consiste na reintegração da totalidade psíquica, tendo em vista, além da superação do trauma, a busca de uma espiritualidade saudável e de uma renovada confiança na vida.



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